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. Tragédia - 05/01/2001

A Barra da Fuseta

Este tem sido um tema bastante polémico com o qual os pescadores da Fuseta se têm debatido ao longo dos anos. Toda a população anseia por um porto e uma barra dignos do nome, que facilite a entrada e saída na ria sem quaisquer problemas e perigos, tendo como um pequeno exemplo apenas, a impossibilidade de navegação no canal, dos barcos de maiores dimensões utilizados na pesca em alto mar, exceptuando na altura das marés mais altas do ano. Obrigando até, aos pescadores residentes na vila a deixarem os seus barcos nos portos de Olhão e Tavira por não conseguirem entrar no canal, o que em muito e, desde sempre tem prejudicado o desenvolvimento desta pequena vila em detrimento de outras... Pois, certo é que, nos tempos áureos da pesca em Marrocos, existiam vários barcos e muitos pescadores da Fuseta e não há dúvida de que se esses barcos ao regressarem de Marrocos pudessem vender o pescado na própria vila e não em localidades vizinhas, a Fuseta hoje em dia não seria de certo apenas uma pequena vila a viver à sombra de outras...

A barra, antigamente encontrava-se na direcção da Fuseta, mais precisamente em frente à casa do salva-vidas, com o passar dos anos foi alterando a sua posição devido ao assoreamento, que faz com que as areias pela acção do vento e das correntes de água sejam arrastadas e depositadas em locais específicos, o que também contribuiu para o aumento progressivo da ilha. Actualmente, a barra está localizada a três ou quatro quilómetros de distância da Fuseta. Apesar de todos os problemas que a barra tem causado e continua a causar, tem conseguido manter-se estacionária no local onde se encontra actualmente. Mesmo quando é desassoreada, ao fim de mais ou menos dois meses volta ao mesmo, tornando difícil de novo, a passagem dos barcos. Na fotografia abaixo pode observar a localização da barra da Fuseta.

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TRAGÉDIA:

Correio da Manhã - 15/01/2001

Dois Pescadores continuam desaparecidos

IMPASSE NA FUZETA

Os 400 pescadores da vila algarvia garantem que com a barra desassoreada ninguém naufragava. As autoridades marítimas asseguram que, sem burocracias, fica tudo limpo até ao Verão. Os ambientalistas não querem mexidas no pontão

BARRA ASSOREADA ATRASA SOCORROS A NÁUFRAGOS Na Fuzeta

Pescadores da Fuzeta garantem que teriam ido em socorro dos dois companheiros que desapareceram no mar há uma semana se a barra já estivesse desassoreada. O problema tem quarenta anos e poderá resolver-se nos próximos seis meses.
Várias gerações da pesca da Fuzeta recordam as aflições e os lutos que, de tempos a tempos, se sentem na pequena vila situada a menos de uma dezena de quilómetros para leste de Olhão e pedem o desassoreamento da barra.

Solidário com as pretensões das centenas de profissionais lesados está o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Pescas do Sul, Josué Marques, ressalvando contudo que o salvamento de pessoas em perigo não é da competência dos pescadores.

Sensível ao problema dos pescadores, José Marques, administrador do Instituto Portuário do Sul (IPS). garantiu que a barra da Fuzeta pode ficar desassoreada ate ao Verão deste ano, caso não tenha obstáculos burocráticos ao início dos trabalhos.
José Marques prometeu ainda que "0 IPS vai tomar medidas" para evitar o contínuo assoreamento da barra da Fuzeta, localidade do concelho de Olhão em cujo mar dois pescadores estão desaparecidos desde 5 de Janeiro. A solução passará por dragagens na zona da barra, o que pode suceder num prazo não superior a seis meses. se não houver obstáculos legais", e pela "colocação de esporões para reter as areias", sublinhou o responsável, confessando desconhecer, porém, quem manda de facto na costa da Fuzeta, uma vez que a vila se insere na zona protegida do Parque Natural da Ria Formosa (PNRF).

Ambiente Discorda

Sublinhando que, legalmente, qualquer intervenção passa por um parecer positivo do Parque, José Carlos Barros, director do Parque manifestou-se contrário à construção de esporões, que determinarão a retenção das areias a poente, alegando consequências perniciosas para o ambiente.

Tais alterações "podem revelar-se extremamente graves, não apenas do ponto de vista ambiental como em termos das actividades económicas que dependem da exploração directa dos recursos da ria".

Por outro lado, releva o arquitecto responsável do PNRF, a colocação de uma barra artificial implicaria custos financeiros elevados, devido à necessidade de manutenção do canal.

Culpas Repartidas

Os armadores e pescadores locais, por seu turno, argumentam que as intervenções pontuais já vêm sendo realizadas, embora sem êxito, uma vez que a deslocação de areais é acentuadamente rápido.

"Há algum tempo a barra foi deslocada de nascente para poente, com um novo canal, mas ela vai sempre 'andando' mais para nascente", disse o armador local António da Branca, acérrimo defensor da construção de uma barra artificial.

O proprietário advogou a construção de um paredão de pedra "para que as areias de poente se desloquem para nascente", salientando que, para a segurança dos pescadores, "bastava a colocação de um esporão do lado poente". Recordou que o assunto remonta há quase quatro décadas, tendo mesmo sido objecto de promessas de Azevedo Soares, ministro do Mar em 1992, entretanto não cumpridas.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Pescas do Sul, Josué Marques, recordou entretanto que Mário Soares, quando era primeiro-ministro, prometeu fazer tudo pela resolução do problema. "ele também é casado com uma fuzetense", afirmou Josué Marques, aludindo à vila de origem de Maria Barroso.

A pesca continua a ser a principal actividade económica na vila da Fuzeta, que tem cerca de 400 pescadores e um total de 50 a 70 embarcações, todas de pequeno calado e menos de 12 metros de comprimento.

Apesar disso, António da Branca assevera que, em maré baixa, muitos desses barcos continuam a bater nas areias do fundo ou em pedras que pontuam o canal. "Com a maré vaza, podemos atravessar o canal a pé", garantem os pescadores.

João Prudêncio/Lusa/CM

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Este é o relato de um facto passado há já alguns anos, um entre tantos, no qual dois pescadores ainda jovens, da vila, desapareceram no mar sem que os seus corpos tenham sido alguma vez encontrados. Um deles, o Francisco foi meu colega de escola e amigo e com o seu desaparecimento deixou duas meninas por criar. Este é o tributo que um habitante na altura escreveu aos dois pescadores:

H O M E N A G E M   A O S   D O I S   D E S A P A R E C I D O S

Mar Tempestuoso e Traiçoeiro

No dia cinco de Janeiro

Foram tragados pelo mar

Tempestuoso e traiçoeiro

Que engoliu o Alamar

 

Era uma embarcação pequena

Que era conduzida

Por uma pessoa serena

Mas não estava ainda endurecida

 

Eram dois

Os novos lobos do mar

A tempestade veio depois

Nesse dia encontraram o azar

Aqui rendo a minha homenagem

Aos dois bravos desaparecidos

Estará sempre a vossa imagem

Vossos nomes não serão esquecidos

Ao Francisco Inácio

Assim como ao Júlio Soares

Meu nome é A. Amâncio

Serão recordados como lobos do mar

António Amâncio Correia, 13/01/2001

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