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. Paulo A.  Martins dos Santos

. A Pesca do Atum

 

A s   A r t e s   P i s c a t ó r i a s

A Fuseta tradicionalmente é uma vila piscatória na qual os tipos de pesca praticados são artesanais. Os pescadores empregam nas suas actividades uma grande variedade de artes, aparelhos e utensílios, tendo em atenção o tipo de pescaria praticada. O acesso a estas pescarias está condicionado de certo modo ao tipo de embarcação que vai delimitar as dimensões da arte ou aparelho que cada embarcação pode transportar. As principais artes aplicadas são: a “caçada”, a pesca com alcatruzes, a pesca com “murejonas” e a pesca com a rede de “emalhar”:

  • O “alcatruz” é uma vasilha de barro com trinta a quarenta centímetros de altura que visa exclusivamente a captura de uma espécie, o polvo. O princípio desta pesca é que, uma vez o alcatruz no fundo do mar, o polvo tem a tendência a fazer dele um abrigo onde permanece, e para onde leva os seus alimentos. A agitação das águas quando está temporal, sobretudo quando está “levante” (vento do sueste), faz aumentar a tendência do polvo para se abrigar no alcatruz. É assim que se pode dizer que os invernos são de certo modo bem vindos e os temporais desejados pelos pescadores que se dedicam a este tipo de pesca. Quando se tiram os alcatruzes do mar por vezes, estão cheios de conchas vazias, o que indica que um polvo lá entrou ou ainda lá está. Para retirar o polvo do alcatruz não se pode puxar pois ele agarra-se tenazmente por meio das ventosas às paredes do alcatruz e é necessário seguir um método. Normalmente, deita-se um pouco de cal líquida lá para dentro, procurando atingir os olhos do polvo que, sai imediatamente. A acção da cal é de tal modo forte que quando se trata de animais de certas dimensões chegam na sua aflição a rebentar o alcatruz. Se se encontram muitos polvos e a cal se acaba, o melhor remédio a utilizar é a urina. Os polvos apanhados, são imediatamente imobilizados por meio de um golpe de faca entre os olhos que lhes corta todo o movimento dos tentáculos e do qual vêm a morrer após algum tempo.

  • Os "côvos" ou "murejonas" como geralmente são designados, são armadilhas de forma circular confeccionados em arame e que, tal como os alcatruzes destinam-se a permanecer no mar. No topo da murejona, existe uma abertura afunilada que termina em pontas de arame voltadas para baixo. O peixe que não experimenta dificuldades em ali entrar, depara ao tentar sair com aquelas pontas que o fazem retroceder. O artifício usado para levar o peixe a entrar no covo é a deposição de berbigão moído no fundo daquele. O fabrico de murejonas é inteiramente artesanal, sendo pouco exercido na Fuseta.

  • O objectivo principal da “caçada” é a pesca da pescada embora fiquem no anzol outras espécies de peixes como o peixe espada, o espadarte imperial, a xaputa, o cherne, etc. O aparelho é constituído por uma série de pequenos estralhos que numa extremidade tem o anzol e na outra liga-se a um fio de nylon central onde se ligam todos os estralhos. Este fio de nylon liga-se por sua vez a duas bóias. Vivendo a pescada a profundidades mais ou menos atingíveis, uma vez fisgada e obrigada a vir à tona, enche-se frequentemente de ar e fica a flutuar com o ventre branco voltado para a superfície o que facilita o trabalho do pescador. Por vezes, peixes já de certas dimensões, alguns com várias dezenas de quilos, vêm nos anzóis.

  • A rede de emalhar designada por caçada de redes que em regra é constituída por trinta a cinquenta "panos" de redes rectangulares, com cerca de sessenta metros de comprimento e, 1,5 m a 2 m de largura. O princípio desta técnica é que, não vendo a rede que é bastante fina, o peixe ao tentar passar no local onde ela se encontra, fica preso nas suas malhas tendo tendência a ficar cada vez mais “emalhado”, à medida que se debate.

Para saber mais...

Tópico Relacionado - A Barra da Fuseta.

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Outro tipo de pesca importante no passado desta terra mas já não praticada é a pesca do atum.

 Bibliografia:                                                        

    • Oliveira, Carlos Manuel G. Ramos de; (1971); "Fuzeta - Uma Abordagem Antropológica"; Universidade Técnica de Lisboa; Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina.

    • Alunos 1ª Área da E.E.F. (1984); "Fuzeta - Usos e Costumes"; Faro, E.E.F.

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A Pesca do Atum

Quando o Mediterrâneo não atingira ainda o grau de poluição que hoje o caracteriza, o atum do Atlântico Norte para ele se dirigia todos os anos, em grandes cardumes, para a desova. Os pescadores algarvios, habituados a vê-los passar duas vezes em cada ano estudaram a hipótese de tirar proveito dessas passagens, montando as chamadas armações, com possibilidade de facilmente abrirem do lado oeste ou do lado este, apanhando assim em Maio e Junho o atum de direito antes da desova e em Julho e Agosto o atum de revés, já desovado.

Nos nossos dias, os atuns que passam são em número reduzido e a existência de grandes arrastões torna inútil o trabalho da armação. Perdeu-se assim o copejo, tipo de pesca específico do atum que alguém chamou a tourada do mar. Das velhas armações e do que era o copejo do atum restam hoje as memórias dos mais velhos, um excelente texto de Raul Brandão e algumas recordações nos museus de Faro. Devido à minúcia da reprodução, é possível compreender a complexidade do aparelho que permitia encerrar os atuns  e apanhá-los um a um. Compreende-se também a razão por que os pescadores preferiam abrir a armação cada vez que os roazes se introduziam e ameaçavam destruí-la.

Na prática, apanhado o peixe em compartimentos de dimensões variáveis, os homens aproximavam-se em minúsculos botes e travavam verdadeiras lutas corpo a corpo com o animal até o dominarem e meterem dentro das atuneiras. Se tivermos em conta que cada atum pode atingir 400Kg, compreende-se quão duro era o duelo, não sendo raros os casos em que o homem era vencido.

 

Pouco a pouco, no entanto, os novos métodos foram ganhando terreno e por volta de 1970 apenas funcionavam duas das treze armações que existiam no princípio do século, sendo hoje a pesca artesanal do atum uma memória na história do Algarve.

 

 

Tópico Relacionado - A Barra da Fuseta.

 

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Bibliografia:                                                        

  • À Descoberta de Portugal, 1982, Selecções do Reader's Digest; Lisboa